O instante. Esse breve pulsar de existência que nos atravessa e, quando percebido, já não mais existe. É o agora, esquivo e efêmero, que se dissolve no oceano do tempo como um grão de areia levado pelo vento. O instante é o sorriso que se abre, o raio de sol que se filtra por entre as folhas amareladas do outono, é a palavra dita com ternura ou o silêncio que guarda mil significados.
E, no entanto, o mais estranho, é que o instante na eternidade se revela. Não na cronologia impassível dos calendários e nos Principios da Física, mas naquilo que nos toca tão, profundamente, que transcende o tempo. A eternidade é a memória de um abraço que nunca se desfaz, o perfume de uma flor que perdura muito depois de murchar ou a lembrança de uma música que há muito tempo deixou de tocar. É a cicatriz deixada por um momento vivido intensamente, seja de dor ou de grande júbilo.
Há quem viva correndo, tentando aprisionar o instante como quem tenta conter a água entre os dedos. Outros, distraídos, deixam os instantes escorrerem sem se dar conta de sua enorme preciosidade. Mas há também aqueles que, com delicadeza, sabem enxergar a eternidade dentro de um único momento, como quem guarda o universo inteiro em uma gota de orvalho.
Talvez seja esse o segredo da vida: reconhecer que o instante e a eternidade não são opostos, mas amantes inseparáveis. Um só existe porque o outro o acolhe; o instante só é pleno quando percebemos nele o vislumbre do infinito.
Assim, ao olhar o horizonte em um entardecer, ao ouvir uma canção que ressoa em nossa alma ou ao compartilhar um olhar que dispensa palavras, percebemos que a eternidade se aninha no instante vivido com presença da verdade.
E é nesse espaço – entre o instante que passa e a eternidade que permanece – que se constrói a teia de nossas vidas.
Salvador-BA, 29 de dezembro de 2024.
José Joaquim de Oliveira
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