O Natal passou, dirao alguns apressados em desmontar as luzes e guardar os enfeites. Mas há um detalhe na Liturgia que nos convida a resistir ao ritmo acelerado dos calendários comerciais: A Oitava do Natal – o eco da alegria que permanece. A Oitava é uma extensão do tempo, como se a Igreja nos dissesse: “Espere, não tenha pressa! A luz que brilhou em Belém merece mais que uma única noite de celebração.”
A Oitava não é apenas um prolongamento cronológico. É, antes, um convite ao mergulho mais profundo no mistério do “Verbo que se fez carne e habitou entre nós” . Nos oito dias após o nascimento de Jesus, somos chamados a contemplar cada nuance desse evento que mudou a História. O Menino na manjedoura não é apenas uma imagem delicada; é a expressão de um Deus que se fez pequeno, frágil e próximo a nós.
No dia 26, recordamos Santo Estêvão, o primeiro mártir da Igreja. Parece estranho falar de morte tão perto do Natal, mas isso nos lembra que o caminho de Cristo é de amor completo, mesmo diante da violência. Em seguida, São João Evangelista, aquele que viu e testemunhou a Verbo encarnada e foi o único apóstolo a permanecer, corajosa e desafiadoramente, aos pés da Cruz de Cristo crucificado no Calvário. Depois, os Santos Inocentes, cujos pequenos corações foram vítimas do medo e da ganância.
A Oitava nos leva a refletir que a luz do Natal ilumina tanto as alegrias quanto as dores do mundo.
No último dia da Oitava, 1º de janeiro, a Igreja celebra Maria, Mãe de Deus, e nos dá um presente especial: a bénção do novo ano. Não é apenas uma data no calendário; é um recomeço sob o olhar de quem disse “Sim” com coragem e entrega incondicional ao plano de Deus.
A Oitava do Natal, como já doi dito, é um eco. É como uma canção que não queremos que termine, que nos permite carregar o espírito do Natal em nossos dias comuns. Afinal, a celebração do Mistério da Encarnação não cabe em apenas uma noite. É uma luz que deseja permanecer em nossos corações, iluminando nossas vidas e renovando a esperança em um mundo que ainda anseia pela paz anunciada pelos anjos.
Então, que tal viver esta Oitava como quem guarda um presente precioso?
Deixe o Natal ecoar em seu coração, transformando o ordinário em sagrado, o instante em eternidade.
Salvador, 28 de dezembro de 2024
José Joaquim de Oliveira
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