Crônicas Vivas

Textos, memórias e reflexões de José Joaquim de Oliveira, reunidos para quem busca pausa, silêncio interior e leitura cuidadosa.

fotografia realista em alta qualidade de uma mesa de escritório simples no Brasil, com um caderno tipo agenda sobre a mesa, uma lapiseira Pentel de grafite bem visível ao lado e apenas uma régua de engenheiro próxima (sem livros na cena). Ambiente de escritório discreto, sem toalhas ou objetos de cozinha ao fundo, iluminação natural suave lateral, cores neutras e profissionais, foco no caderno, na lapiseira Pentel e na régua, sem texto legível nas páginas.

Crônicas

Nova Crônica

  • O mistério da existência

    Entre o nascimento e a morte construímos histórias, estabelecemos vínculos, alimentamos esperanças, enfrentamos perdas e procuramos compreender o sentido da nossa passagem pelo mundo. Ainda assim, por mais que a ciência amplie o conhecimento sobre a vida, permanece diante de nós o mistério da existência.

    Para a fé cristã, a vida não é um acidente sem significado, nem a morte representa simplesmente o apagamento de tudo o que fomos.

    Viemos de Deus e, em Cristo, encontramos a promessa de uma vida que ultrapassa os limites da nossa condição terrena.

    O livro do Gênesis apresenta a origem humana numa imagem de extraordinária beleza: Deus modela o homem do pó da terra e sopra em suas narinas o sopro da vida (Gn 2,7). Há, nessa passagem, uma verdade que merece nossa contemplação: somos feitos da terra, sujeitos à fragilidade e à finitude, mas carregamos em nós o sopro que nos permite buscar o transcendente.
    A nossa condição é, portanto, marcadas por dois horizontes: a fragilidade da matéria e a abertura ao mistério de Deus.
    O tempo, entretanto, não nos pertence.

    Passamos pela infância, pela juventude e pela maturidade; vemos partir pessoas que amamos e percebemos, pouco a pouco, que também nos aproximamos do limite da nossa jornada. Aquilo que ontem parecia distante torna-se uma possibilidade concreta. As certezas que construímos sobre o futuro cedem espaço à consciência de que não temos domínio sobre a duração da própria vida.

    É nesse confronto com a finitude que a fé adquire uma dimensão particularmente profunda. Não para nos oferecer respostas fáceis a todas as perguntas, mas para nos lembrar de que a morte não tem a última palavra na esperança cristã.

    Jesus declara: «Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá» (Jo 11,25). Essa afirmação está no centro de toda a fé católica.

    A Ressurreição de Cristo não elimina o sofrimento da despedida, nem torna menos dolorosa a ausência daqueles que amamos. Ela anuncia, porém, que a morte não constitui o destino definitivo daqueles que vivem na promessa de Deus.

    Crer na vida eterna não significa desprezar a vida presente. Ao contrário: significa reconhecer a sua dignidade e a responsabilidade que3 temos diante dela.

    Se a existência é limitada, cada escolha adquire importância. O bem que praticamos, a justiça que defendemos, o perdão que concedemos, a solidariedade que oferecemos e o amor que dedicamos ao próximo não são gestos insignificantes diante da eternidade. São expressões concretas da fé que professamos.

    Não sabemos quando chegará a nossa hora. Sabemos, contudo, que os dias nos são dados, mas não nos são garantidos. Por isso, a questão essencial não é apenas quanto tempo viveremos, mas o que faremos com o tempo que nos foi concedido.

    Uma das maiores dificuldades humanas é aceitar que não somos senhores da própria existência. Queremos planejar, acumular, controlar e adiar, como se o futuro fosse uma propriedade nossa. A sabedoria cristã nos convida a outra atitude: viver com responsabilidade, sem transformar os bens terrenos em absolutos, e reconhecer que a nossa existência encontra o seu sentido mais profundo na relação com Deus e com o próximo.

    O princípio da vida é um mistério; o seu fim, para a razão humana, permanece envolto em perguntas. Para a fé cristã, entretanto, a morte não encerra a2 história: coloca-nos diante da promessa da eternidade.
    A finitude da vida não precisa nos conduzir ao desespero; pelo contrário, ela pode nos ajudar a discernir o que realmente merece o uso do nosso tempo, da nossa dedicação e do nosso amor.

    Que Deus nos conceda a graça de compreender que a vida não se mede apenas pelos anos que acumulamos, pelas conquistas que alcançamos ou pelos bens que deixamos. Mede-se, principalmente, pela capacidade de amar, pela fidelidade ao bem e pela maneira como respondemos ao chamado de Deus enquanto caminhamos neste mundo.
    E, quando chegar o momento de atravessarmos a última fronteira, que a nossa esperança esteja firmada não naquilo que conseguimos acumular nesta vida, mas Naquele que nos prometeu a vida eterna.
    Porque, para quem crê em Cristo, a morte é o fim da existência terrena, mas não o fim da esperança.
    Que o Senhor ilumine a nossa caminhada, fortaleça a nossa fé e nos prepare, com serenidade e confiança, para o encontro definitivo com Ele. Amém.

    Salvador – BA, 24 de outubro de 2026.

    José Joaquim de Oliveira

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Sobre José Joaquim de Oliveira

Nascido em Esperança-PB, em 6 de dezembro de 1950, concluiu o curso Técnico Agrícola em 1969 pela Escola de Agronomia do Nordeste, foi professor de Física e Química no curso pré-vestibular do Colégio Alfredo Dantas em Campina Grande-Pb, de 1970 a 1974, graduou-se em Engenharia Elétrica em 1974 pela Escola Politécnica de Campina Grande e tem especializações em telecomunicações na Suécia, Japão e Alemanha. Foi Diretor de Engenharia da Telemar – Regional Bahía, abrangendo os estados da Bahia, Sergipe e Alagoas, de agosto de 1999 a dezembro de 2000 e em 2002 assumiu a Divisão Services da NEC – Nippon Electric Corporation. Em 2004 ingressou na Anatel — Agência Nacional de Telecomunicações, na qual ocupou o cargo de Gerente-Geral de Fiscalização, com jurisdição em todos os estados do Brasil mais o Distrito Federal, de janeiro de 2005 até março de 2012, encerrando sua carreira no cargo de Gerente-Geral de Fiscalização.

Atualmente, a minha aspiração pessoal é ver meus filhos com suas famílias consolidadas e minhas netas crescidas e atuando como cidadãs do mundo. No plano funcional é me tornar um escritor com várias obras lidas e bem avaliadas pelos meus leitores.

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