Servir é uma escolha

Servir à Igreja é mais do que ocupar uma função, participar de uma pastoral ou assumir determinada tarefa. É colocar-se à disposição de uma comunidade da qual fazemos parte, oferecendo tempo, capacidades e, sobretudo, disposição para colaborar.

Há muitas maneiras de servir. Alguns ensinam; outros acolhem. Uns cuidam da Liturgia; outros visitam os enfermos, organizam atividades, acompanham crianças e jovens ou simplesmente estão disponíveis quando alguém precisa de ajuda. Nem todo serviço é percebido, e muitos daqueles que sustentam a vida de uma comunidade acontecem sem chamar atenção.

A alegria no serviço não significa ausência de dificuldades. Quem serve também se cansa, enfrenta incompreensões e limitações e, algumas vezes, pode ter a impressão de que seu esforço não produziu resultado ou não foi reconhecido. O sentido do serviço, porém, não pode depender de elogios. Quando existe convicção naquilo que se faz, o reconhecimento deixa de ser condição para continuar colaborando.

A generosidade não está apenas naquilo que oferecemos, mas também na maneira como o fazemos. É possível cumprir uma tarefa corretamente e realizá-la com má vontade. Do mesmo modo, um gesto simples, feito com atenção e disponibilidade, pode ter importância para quem o recebe.

Jesus não apresentou o serviço ao próximo como posição de destaque, mas como expressão do amor. No Evangelho, aquele que deseja ser o primeiro é chamado a colocar-se a serviço dos outros. Essa mudança de perspectiva continua sendo uma exigência para a vida da Igreja, sobretudo quando a busca por funções, influência ou reconhecimento pode ocupar um espaço maior do que o próprio serviço.

Servir é compreender que a Igreja não é apenas o lugar onde nos reunimos para celebrar a fé. É também uma comunidade pela qual somos responsáveis. Cada pessoa que oferece seu tempo, sua experiência, sua palavra, sua escuta ou seu trabalho contribui para a vida dessa comunidade.

Por isso, servir com alegria e generosidade significa não transformar o serviço em disputa por espaço, reconhecimento ou autoridade. Significa fazer o que precisa ser feito, inclusive quando a tarefa é simples e pouco visível, assumindo cada responsabilidade com seriedade.

Uma das perguntas mais importantes sobre o serviço não é o que esperamos receber da Igreja, mas o que estamos dispostos a oferecer para que ela cumpra sua missão de acolher, anunciar o Evangelho e cuidar das pessoas.

Servir é uma escolha. Para quem vive a fé cristã, essa escolha não se limita a uma atividade dentro da Igreja. Ela envolve uma maneira de estar com os outros e de assumir responsabilidades sem precisar transformar cada gesto em demonstração de importância. É nesse exercício cotidiano, muitas vezes discreto, que o serviço pode se tornar uma expressão concreta da fé.

Salvador-BA, 22 de agosto de 2026.

José Joaquim de Oliveira

jjo555 Avatar

José Joaquim de Oliveira

Engenheiro elétrico aposentado, com carreira em telecomunicações no Brasil e exterior. Escreve sobre memória, fé e vida cotidiana. Saiba mais →


Discover more from Crônicas de José Joaquim

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Leave a Reply

Discover more from Crônicas de José Joaquim

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading