Crônica
Que este título tema seja mais que uma pergunta, seja um provocante estímulo ao ato de servir o próximo. Um lembrete para pausar, perceber, e escolher doar um pouco de si, de seu precioso tempo, àquele que tanto necessita do teu servir que não te pesa, mas que alivia e eleva a alma.
O relógio tropeça nas horas, e a gente passa pela vida com um colete que nos blinda contra as dores dos outros, principalmente, dos que não estão ao nosso redor. E aí vem a pergunta, sussurrada no canto da consciência que me alerta entre os múltiplos compromissos: percebeste as dores do outro?
Pode soar bobo, mas servir está na mesma raiz de servir um prato, de estender a mão, de oferecer um tempo — é algo que a gente pode esquecer no automático da rotina. Mas servir não é punição, é um convite: de amor, de calor humano, de gentileza sem retrovisor, de doação silenciosa a quem está proximo.
Hoje, será que ofereci um sorriso verdadeiro? Uma escuta atenta para alguém que precisava? Um momento de companhia para quem se sente sozinho? Dei atenção ou cortei caminho? Pode ter sido um “bom dia” inesperado; um “posso ajudar?” sincero; um olhar estabelecendo ponte com outra alma.
Na correria, servir pode ser só lembrar que, mesmo pequenos gestos, somos instrumentos de afeto. Um café feito para o colega, uma escuta cuidadosa para o amigo com dor, um abraço desprendido para alguém que não esperava.
Mais ainda.
Servindo, descubro que sirvo também a mim mesmo, porque rego meu jardim interno de conexão e sentido.
Em casa, após cuidar do meu pai idoso pela manhã, sirvo também à família. O jantar, os livros arrumados, a toalha estendida, a mesa posta e, principalmente, a história de vida compartilhada.
Gesto após gesto, tento servir calor, aconchego e plantar em mim e nos demais, sentido para a vida.
Salvador-Ba, 04 de julho de 2025.
José Joaquim de Oliveira
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