Praticar esportes é um ato de amor-próprio. É cuidar de si sem egoísmo. É dar ao coração motivos para bater mais forte e aos pulmões razões para respirar mais fundo. É encontrar, no esforço do corpo, um descanso para a mente.
Praticar esportes é muito mais do que movimentar o corpo. É contar histórias numa pista, numa quadra, numa piscina — cada braçada, cada chute ou cada passada carrega um enredo pessoal. Já reparou como o tênis, por exemplo, vira o palco de desafios interiores? A bola vem quebrando confiança, e ali, naquela troca, ensaiamos a paciência, o foco, aprendemos sobre limites e sobre o poder de recomeçar a cada ponto.
O esporte ensina. Ensina a cair e levantar. Ensina a perder e tentar de novo. Ensina que o esforço é sempre maior que o talento. E mais: ele une. Une desconhecidos em torno de uma bola, de uma raquete, de um objetivo comum. No esporte, não importa o cargo, a conta bancária ou o sobrenome — todos suam, erram, acertam. Todos jogam.
Na infância, o esporte era brincadeira. Corríamos sem saber de músculos ou articulações, pulávamos sem pensar nas consequências. Era só o corpo em liberdade, o riso fácil, a alma leve. Com o tempo, a vida apertou a rotina, os compromissos invadiram os espaços livres, e muitos deixaram o esporte no passado — como se fosse coisa de criança. Mas não é.
No futebol de domingo, somos parte de algo maior: um time, uma torcida silenciosa na arquibancada da vida, cobranças amistosas e gargalhadas. É ali que entendemos o valor de colaborar, de sacrifício, mas também da alegria coletiva quando alguém marca gol — a vitória deixa de ser só número no placar para se tornar um momento compartilhado.
A natação nos ensina ritmo e disciplina. Cada braçada mansa é marcada pelo sopro do pulmão, e cada volta é um lembrete de que, ainda que tenhamos vontade de desistir antes da reta final, é preciso um último esforço para tocar a borda da piscina e completar o ciclo.
E a corrida, ah, a corrida — ela é, muitas vezes, uma conversa solitária com nossa própria mente. A cada quilômetro vencido, um “eu consigo” se reforça, ecoa e cria um alicerce de autoestima que serve de base para qualquer outra conquista no dia a dia.
Há quem diga que não tem mais idade para essas coisas. Mas o corpo, mesmo mais velho, agradece o movimento. Caminhar, nadar, pedalar, jogar vôlei, subir uma escada com mais disposição — tudo isso é um grito silencioso de que estamos vivos. E vivos de verdade, não apenas sobrevivendo.
Por isso, se puder, mexa-se. Mesmo que seja devagar. Mesmo que seja só por alguns minutos por dia. Porque o esporte, mais do que nos fortalecer fisicamente, nos ensina a jogar com a vida — e, quem sabe, até a vencer alguns dos seus desafios.
E se por acaso já for tarde demais para o campo ou a quadra, nunca é tarde para a lembrança: porque o corpo pode até parar, mas o espírito de quem já jogou, correu ou dançou… esse, continua em movimento.
Outro dia, ao ver um grupo de jovens jogando futebol na praça, voltei no tempo. Lembrei das corridas descalças no campinho de terra, das peladas com bola de meia e da adrenalina pura que brotava do simples ato de se movimentar. Praticar esportes, percebo hoje, é muito mais do que uma atividade física. É um jeito de viver a vida com mais intensidade, mais saúde e, sobretudo, mais alegria.
Em todo esporte — seja ele coletivo ou individual — praticamos mais que técnica. Somos convidados ao autoconhecimento: testar nossos limites e aprender a lidar com o desconforto, a frustração, a vitória e, sobretudo, com a persistência. Praticar esportes é cultivar o cuidado com o corpo, claro, mas é, principalmente, exercitar a mente e o espírito. É aprender que, às vezes, a maior maratona é dentro de nós mesmos e que cada gota de suor é uma pequena história de superação — nossa crônica particular, traçada no compasso dos nossos passos.
Salvador-Ba, 06 de julho de 2025.
José Joaquim de Oliveira e
Leave a comment