Memórias

Somos feitos de lembranças. Cada fragmento de nossa história se entrelaça para formar a tapeçaria única daquilo que chamamos de “eu”. Desde a infância até a maturidade, são as experiências vividas, os rostos que cruzaram nosso caminho, as alegrias e as dores que nos moldam.

As memórias não são apenas registros passivos do passado; elas nos definem ativamente no presente. São elas que conferem significado às nossas escolhas e aos nossos afetos. O cheiro do bolo de milho pode nos levar de volta à casa dos avós, um sorriso pode despertar ecos de uma amizade antiga, e uma canção pode nos conectar a um amor que marcou nossa juventude.

Mas a memória também é seletiva. Guardamos aquilo que nos toca, reinterpretamos eventos, às vezes até inventamos detalhes para dar coerência à nossa história pessoal.

Nesse processo, construímos uma narrativa própria, e é essa narrativa que nos dá identidade.

No entanto, o esquecimento, quem diria, também faz parte dessa equação. Nem tudo pode ou deve ser lembrado. Esquecemos para seguir em frente, para aliviar a carga do passado, para permitir que o novo ocupe espaço. Mas há memórias que insistem em permanecer, pois sem elas, talvez nos perdêssemos de nós mesmos.

E quando partilhamos nossas histórias, reafirmamos quem somos. Nos encontros com amigos, nas festas familiares, na mesa do “Almoço Amigo” ou nas celebrações da vida, recontamos nossas trajetórias, reavivamos lembranças e, assim, fortalecemos laços. Porque, no fim das contas, somos mais do que aquilo que vivemos—somos aquilo que conseguimos lembrar e, principalmente, compartilhar.

Salvador-BA, 08 de abril de 2025.

José Joaquim de Oliveira

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José Joaquim de Oliveira

Engenheiro elétrico aposentado, com carreira em telecomunicações no Brasil e exterior. Escreve sobre memória, fé e vida cotidiana. Saiba mais →


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