Era uma daquelas noites em que o silêncio parecia maior que o universo, nem os grilos estridulavam.
Sentado em minha mesa simples de estudos, cercado por livros didáticos e outros tantos de introdução à filosofia, dei por mim pensando em coisas alheias à minha fase estudantil e que nunca conseguiria responder. Por que estamos aqui? Para onde vamos? E, o mais importante: por que o que precisamos sempre desaparece quando mais necessitamos?
Desde criança, sempre fui atormentado por essas questões. Lembro-me das noites em que, deitado na minha cama de colchão de palha, olhava para o telhado de telhas-vãs e me perguntava como era possível o tempo não ter começo e nem fim. Se o universo é infinito, o que vem depois dele? E, se não é, onde ele termina? Minha mãe, sempre prática, dizia: “Menino, dorme logo que amanhã tem escola e tuas irmãs já estão dormindo!”
Talvez ela tivesse razão. Algumas dúvidas precisam mesmo de um bom sono para se acomodarem.
Com o tempo e a luta pela vida, as perguntas mudaram de foco. Passei da metafísica do “quem somos” para a pragmática do “como pagar as minhas contas”. Mas, de vez em quando, aquelas questões distantes voltavam e me pegavam desprevenido, como uma pedra no sapato da alma. Às vezes, penso que a vida é como um brinquedo de quebra-cabeça, mas sem a tampa da caixa para sabermos como é a figura final. Vamos encaixando as peças, sem certeza se estamos fazendo certo, só confiando no instinto.
Outro dia, conversando com um amigo que também se ocupa com essas questões, me disse algo que me marcou. “Talvez as dúvidas existam porque são elas que nos movem.” Faz todo sentido”. Afinal, a certeza é confortável e, ao mesmo tempo, paralisante. Quem já tem todas respostas não tem motivo para continuar buscando. Talvez o segredo esteja em fazer as pazes com as perguntas e aceitá-las como companheiras da nossa efêmera viagem, visto que, mais importante que saber as respostas, é fazer as perguntas certas.
Enquanto isso, aqui estou, sentado na varanda da minha casa, pensando e filosofando sobre a vida e o universo, como milhares de pessoas já o fizeram pelos séculos afora.
Talvez nunca encontre as respostas que procuro, mas, por ora, já me contento em saber que existe um Ser Superior que me aponta o caminho e que me libertará de todos os esses grilhões.
Salvador, 24 de novembro de 2024
José Joaquim de Oliveira
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