Propósito versus Egoísmo

O propósito soma. O egoísmo divide.

Essa é uma máxima que vale para as famílias, para as empresas, para as comunidades e, naturalmente, para uma equipe de futebol.

Ao assistir à atuação da Seleção Brasileira diante da Noruega, tive a impressão de ver alguns talentos individuais, mas pouco espírito coletivo, sem garra e sem combate em nome do objetivo comum. Parecia que cada jogador desejava resolver o jogo sem nenhum esforço, como se o brilho pessoal fosse suficiente para a alcançar a vitória. Vi muito egoísmo e quase nenhum propósito.

O propósito faz com que cada um coloque suas qualidades a serviço de um objetivo maior. Quem joga com propósito compreende que, às vezes, o passe vale mais que o drible, a assistência vale mais que a tentativa de gol, e o sacrifício silencioso vale mais que o aplauso. O propósito transforma um grupo de indivíduos em uma equipe.

O egoísmo, ao contrário, fragmenta. Faz nascer disputas por protagonismo, vaidades desnecessárias e decisões tomadas em benefício próprio. O resultado é previsível: perde-se a harmonia, enfraquece-se a confiança e o desempenho coletivo fica comprometido.

Essa lição não pertence apenas aos gramados. Quantas famílias sofrem porque seus membros defendem apenas seus próprios interesses? Quantas instituições deixam de crescer porque as vaidades falam mais alto que a missão? Quantos projetos fracassam porque falta um propósito comum?

O talento é indispensável, mas não basta. A história está repleta de equipes tecnicamente inferiores que venceram adversários mais brilhantes porque compreenderam o valor da união.

Quando todos caminham na mesma direção, o resultado costuma superar a soma das capacidades individuais. Isso se chama sinergia.

Talvez a maior derrota não seja perder uma partida, mas esquecer que ninguém vence sozinho. Onde existe propósito, cada conquista pertence a todos. Onde impera o egoísmo, até as vitórias deixam um gosto amargo.

Vale para o futebol. Vale para a vida.

Salvador-BA, 6 de julho de 2026.

José Joaquim de Oliveira

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José Joaquim de Oliveira

Engenheiro elétrico aposentado, com carreira em telecomunicações no Brasil e exterior. Escreve sobre memória, fé e vida cotidiana. Saiba mais →


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