Nem Só de Flores Vive o Amor

Há quem imagine o amor como um jardim em permanente primavera, onde tudo são flores, perfumes e cores vibrantes. As fotografias exibem sorrisos, os vídeos terminam no momento do beijo e as redes sociais parecem convencer-nos de que amar é uma sucessão de instantes felizes. Mas a vida, com a sua sabedoria silenciosa, ensina que nem só de flores vive o amor.

As flores são importantes. São os gestos de carinho, as palavras ternas, as celebrações e as surpresas que alegram o coração. Contudo, nenhum relacionamento se sustenta apenas com elas. Há dias de tempestade, momentos de incompreensão e ocasiões em que a convivência exige mais do que sentimentos: exige decisão.

O perdão é uma dessas forças discretas que mantêm de pé aquilo que o orgulho, muitas vezes, deseja derrubar. Quem ama de verdade aprende que ninguém é perfeito e que, por trás de cada erro, continua existindo uma pessoa que merece ser compreendida. Perdoar não é fingir que nada aconteceu, mas escolher não permitir que as feridas se tornem muros intransponíveis.

A paciência também é uma forma de amor. É ela que nos faz esperar pelo amadurecimento do outro, respeitar os seus limites e compreender que cada ser humano carrega as suas fragilidades. O amor impaciente quer tudo imediatamente; o amor maduro sabe que algumas flores desabrocham no seu próprio tempo.

E há, ainda, as renúncias. Não aquelas que anulam a própria dignidade, mas as pequenas concessões do cotidiano: ceder em discussões sem importância, abrir mão de certas comodidades, sacrificar um desejo em favor do bem comum. São gestos quase invisíveis, mas que, repetidos ao longo dos anos, tornam-se os alicerces de uma vida compartilhada.

Talvez seja justamente aí que resida a beleza mais profunda do amor. Não apenas nos dias de festa, mas na capacidade de permanecer; não somente nas flores recebidas, mas nas lágrimas enxugadas; não apenas nas promessas feitas, mas na fidelidade silenciosa com que elas são cumpridas.

Porque, no fim das contas, as flores encantam os olhos, mas são o perdão, a paciência e as renúncias generosas que alimentam as raízes. E são as raízes, muito mais do que as flores, que permitem ao amor atravessar as estações e continuar vivo quando o tempo já levou consigo o encanto das primeiras primaveras.

Salvador-BA, 12 de junho de 2026

José Joaquim de Oliveira

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