Dizem que amar é atitude de gente boa quando, na verdade, amar é coisa de gente corajosa.
É fácil ser gentil quando tudo vai bem, quando o outro nos agrada, quando o mundo nos parece justo. Difícil mesmo é escolher o amor quando estamos cansados, derrotados, feridos ou decepcionados. Difícil é responder com compaixão quando a vida nos empurra para o confronto, para o ódio ou para a vingança.
O amor verdadeiro não é feito apenas de momentos bonitos. Ele também nasce nas horas em que alguém decide escutar em vez de julgar, estender a mão em vez de virar o rosto, compreender em vez de atacar. Nessas pequenas escolhas silenciosas mora uma coragem que, raramente, recebe aplausos.
Porque amar expõe. Amar nos torna vulneráveis. Quem ama corre o risco de não ser correspondido, de ser mal interpretado, de sair bem machucado. Ainda assim, há quem escolha amar. E essa escolha, repetida dia após dia, é um dos gestos humanos mais ousados que existem.
A compaixão também exige bravura. É preciso coragem para enxergar a dor do outro sem desviar o olhar, para reconhecer a humanidade até em quem erra, para não endurecer o coração num mundo que tantas vezes parece premiar o contrário.
Por isso, os gestos mais simples sejam também os mais revolucionários: perdoar, acolher, ouvir, ajudar. Cada um deles é um pequeno ato de resistência contra a frieza que, às vezes, toma conta das relações humanas.
No fundo, amar e ter compaixão, é escolher permanecer humano mesmo quando seria mais fácil não ser.
E talvez seja justamente por isso que esses dois sentimentos, tão antigos quanto o próprio mundo, continuem sendo algumas das maiores provas de coragem que alguém pode oferecer à vida.
Salvador-BA, 13 de março de 2026.
José Joaquim de Oliveira
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