Os discípulos tinham ido à cidade para comprar mantimentos. Jesus cansado, sentado à beira do poço de Jacó, pede água a uma mulher samaritana, que de pronto, disse então a Jesus: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a uma samaritana?”
A cena do encontro de Jesus com a mulher samaritana é um dos diálogos mais belos do Evangelho. Ao dizer “Dá-me de beber”, Jesus não pede apenas água; Ele abre uma porta para o encontro, para o diálogo e para a transformação do coração.
Naquele tempo, havia uma forte divisão entre judeus e samaritanos. Judeus evitavam qualquer contato com samaritanos, e ainda mais com uma mulher desconhecida. No entanto, Jesus rompe essas barreiras. Ele se aproxima, conversa e pede algo simples: água. Com esse gesto, ensina que Deus não faz distinção entre pessoas e que todos são dignos de atenção, respeito e amor.
A mulher se surpreende: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?” A pergunta revela séculos de preconceito e separação. Mas Jesus mostra que, diante de Deus, essas barreiras perdem o sentido. Ele não olha primeiro para a origem, para a História ou para os erros daquela mulher; Ele olha para a sede da sua alma.
A partir daquele pedido de água, Jesus conduz a conversa para algo muito mais profundo: a água viva, que sacia a sede interior do ser humano — a sede de sentido, de perdão, de reconciliação e de amor de Deus.
Essa passagem também nos provoca a refletir:
Quantas vezes construímos muros entre nós e os outros? Quantas vezes evitamos quem é diferente, quem pensa diferente ou quem carrega uma história difícil? Jesus nos mostra que o caminho do Reino começa pelo encontro, pela escuta e pelo diálogo.
Curiosamente, é Jesus quem pede água, mas no fim é a mulher que descobre que era ela quem tinha sede. Sede de verdade, de misericórdia e de uma vida nova.
Assim, o Evangelho de João nos recorda que Cristo continua a nos pedir “de beber”. Ele tem sede da nossa fé, da nossa conversão e do nosso coração aberto. E quando nos aproximamos d’Ele, descobrimos que só a água que vem de Deus é capaz de saciar, plenamente, a sede mais profunda da nossa alma.
Salvador-BA, 7 de março de 2026.
José Joaquim de Oliveira
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