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Quarenta dias de jejum

No início da vida pública de Jesus, o Espírito O conduziu ao deserto para ser tentado pelo diabo. Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e, depois disso, teve fome. O tentador, então, aproximou-se Dele e disse: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães!” Mas Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus’”.

Aqui vemos um dos momentos mais humanos e, ao mesmo tempo, mais profundos da vida de Jesus. Depois de quarenta dias de jejum, é natural que tivesse fome, uma necessidade real, concreta. É, justamente, aí que surge a tentação: usar o poder para satisfazer a si mesmo.

A resposta de Jesus revela o coração do Evangelho: a vida não se sustenta apenas do que alimenta o corpo, mas do que dá sentido à alma. Ao dizer que o homem vive da Palavra de Deus, Ele nos ensina que confiar no Pai é o essencial, é mais do que qualquer segurança material. Jesus escolhe a fidelidade em vez do conforto; a obediência em vez do atalho. Essas escolhas nos provocam a olhar para o nosso próprio “deserto”- quantas vezes somos tentados a colocar nossas necessidades em primeiro lugar, nossos desejos ou medos acima da confiança em Deus? A Palavra nos lembra que nem tudo o que é urgente é o mais importante. Quando escutamos Deus e nos deixamos conduzir por Ele, encontramos um alimento que não passa, aquele que sustenta a fé, fortalece a esperança e orienta nossas escolhas.

Tudo isso é um convite a viver com menos ansiedade pelo “pão” e mais atenção à Palavra que nos mantém de pé por todos os dias de nossas vidas.

Salvador-BA, 21 de fevereiro de 2026.

José Joaquim de Oliveira

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