Essa foi uma das grandes lições que aprendi na Telebahia, na época da Reengenharia de Processos.
Adiar o julgamento, não por medo, mas por cuidado, por precaução.
Dê um passo para trás quando o peito estiver em chamas e o mundo parecer exigir uma resposta imediata. Emoções são ótimas conselheiras para sentir mas, péssimas para decidir.
No calor do momento, a mente corre como quem tenta apagar um incêndio com gasolina. Palavras saem explosivas, decisões ganham contornos definitivos demais, pontes são queimadas por frases que não voltam. Depois, quando a poeira baixa, fica a pergunta incômoda: era isso mesmo que eu queria?
Adiar não é fugir. É respeitar o tempo necessário para que o coração desacelere e a razão consiga ouvir. É reconhecer que a verdade raramente grita; ela costuma falar baixo e só vai ser ouvida quando o barulho passar. Dormir sobre o assunto, respirar fundo, caminhar sem destino produzem pequenos adiamentos que salvam grandes arrependimentos.
Há escolhas que pedem urgência, sim. Mas a maioria pede clareza. E clareza não nasce em tempestade. Ela vem quando o céu abre um pouco, quando a emoção deixa de ser protagonista e vira figurante.
Então, adie o julgamento, porque decidir com calma é um ato de coragem — e, quase sempre, de sabedoria.
Salvador-BA, 14 de fevereiro de 2026.
José Joaquim de Oliveira
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