“Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra
deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo se cumpra.
Essas palavras de Jesus são profundas e, ao mesmo tempo, exigente. Elas nos convidam a ir além de uma leitura superficial da Lei e dos Profetas, entendendo-os não como um conjunto rígido de regras, mas como um caminho pedagógico que conduz ao coração de Deus.
No Evangelho de Mateus, Jesus afirma que a Lei não perde valor com a sua vinda; pelo contrário, alcança sua plenitude. Isso significa que o cumprimento não está apenas na obediência exterior, mas na transformação interior. A letra continua válida, mas ganha alma. A norma encontra sentido no amor.
Quando Ele diz que nem uma vírgula passará sem que tudo se cumpra, não está defendendo legalismo, e sim fidelidade. A fidelidade de Deus à Sua promessa e o chamado para que o ser humano viva essa Lei com inteireza: Justiça, Misericórdia e Verdade.
Jesus revela que a Lei só é plenamente vivida quando conduz à vida, à reconciliação e ao amor ao próximo.
Essa reflexão também nos interpela hoje da seguinte forma: seguimos a fé como um conjunto de obrigações ou como um caminho de sentido? Cumprir a Lei, à luz de Cristo, é permitir que ela molde o coração, os gestos e as escolhas. Não se trata de abolir o que veio antes, mas de viver tudo de modo mais profundo, mais humano e mais divino ao mesmo tempo.
Em resumo, Jesus não diminui a Lei — Ele a eleva. E, ao fazê-lo, nos convida a viver uma fé que não se limita à forma, mas que se realiza no amor que transforma.
Salvador-BA, 14 de fevereiro de 2026.
José Joaquim de Oliveira
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