Nossa Senhora da Conceição Aparecida

Há séculos ressoa entre as águas do Rio Paraíba do Sul uma história simples, humilde — mas grandiosa no seu poder de esperança. Foi ali, em 1717, que três pescadores, depois de uma pescaria vazia, lançaram suas redes e encontraram algo que transformaria o destino de um povo. Primeiro, o corpo de uma pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição; depois, sua cabeça, separada, reunida com delicadeza. E, num segundo ato, o milagre: as redes, antes vazias, ficaram cheias.

A imagem, feita de terracota (barro cozido no ponto antes de vitrificar), escurecida pelas águas, tornou-se símbolo da identidade de um povo: um povo que reconhece nos gestos singelos – uma pesca que se refaz, uma oração comunitária numa sala de casa modesta, uma festa que vai crescendo – a presença de Deus no cotidiano.

Maria, sob o título de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, é este modelo de fé radicada na humildade. Ela que concebeu em coração a Palavra de Deus antes que o mundo pudesse contemplá-la, ela que acolheu promessas, certezas, dores — ela é a Mãe que sabe o peso da espera, que conhece os olhos voltados ao horizonte, desejosos de justiça, de pão, de paz.

Rezemos com fé por nosso povo: que a fé em Nossa Senhora não permaneça virtude apenas, mas irradie em ações e obras. Que a esperança que brota no colo maternal de Maria se transforme em solidariedade, em cuidado com o outro — principalmente, com nossas crianças, tantas vezes esquecidas, que merecem atenção, alimentos, escola, carinho e profissão. Que nossa pátria, marcada por contradições sociais, desigualdades, divisões, encontre na intercessão de Aparecida inspiração para construir pontes — não muros; laços — não isolamento; justiça — não privilégio. E que o mundo, tão marcado por conflitos, fome, guerras e desamor, possa ouvir o chamado de Nossa Senhora: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5), fazendo da fé uma força poderosa e transformadora.

Mãe Aparecida, suplicamos por teus braços que confortam. Que sob teu manto encontrem refúgio os aflitos; sob teu olhar, as crianças, os idosos, os marginalizados possam ser amparados. Que teus passos nos conduzam à coragem de agir, de amparar e ser luz na escuridão. E que, inspirados em tua certeza de que Deus não nos abandona, sigamos firmes no caminho da esperança — com responsabilidade, amor e justiça.

Salvador-Ba, 11 de outubro de 2025.

José Joaquim de Oliveira

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