Neste domingo, somos convidados a olhar para uma estrutura deveras diferente: a Cruz. Santo André de Creta nos lembra que celebramos hoje uma festa que transforma nossos olhares e nossos corações — uma festa que não exalta o sofrimento gratuito, mas revela o mistério do amor que vence as trevas.
É preciso coragem para contemplar a cruz sem desviar o olhar. Pois ali não há apenas dor ou morte, embora elas estejam presentes. Há algo muito maior: a vitória do amor sobre tudo aquilo que nos oprime, tudo aquilo que nos faz descer — pecados, medos, tristeza, desilusão.
A Cruz nos convida a erguer os olhos e a perceber que, por esse madeiro, brotaram as fontes da imortalidade, a água e o sangue que lavam e renovam.
Celebrar a Santa Cruz é reconhecer que, por meio dela, as trevas são dissipadas e a luz retorna. Não uma luz distante, fria, abstrata, mas uma luz que ilumina nossos passos, nossas escolhas, nossos dias. Quando aceitamos a cruz — não como castigo, mas como caminho — permitimos que essa luz transforme nosso viver. Somos elevados, não para escapar da realidade, mas para olhá-la com a paz daquele que sabe que foi amado até o fim.
E se a cruz é um tesouro, Santo André nos ensina que quem a possui possui algo precioso: nossa salvação, nossa dignidade restaurada. Se não houvesse Cruz, não haveria Ressurreição; se não houvesse entrega, não haveria redenção.
Portanto, neste domingo, façamos da cruz não apenas um símbolo, mas uma presença viva. Que ela seja entre nós instrumento de esperança. Que nos momentos de dor ou de incerteza, possamos lembrar: fomos feitos para a luz, não para as sombras. E que nossa fé na Cruz de Cristo nos faça testemunhas da luz — na paciência, na generosidade, no amor silencioso pelos que sofrem.
Que a cruz não seja peso que nos paralisa, mas âncora que nos sustenta. Que ela não seja lembrança de derrota, mas proclamação de vitória. Hoje, celebramos — como Santa Helena e como tantos outros santos — que o lenho que marcou o sangue, as lágrimas de Cristo e as dores de Maria também colheu para nós a graça da vida eterna.
Salvador-Ba, 13 de setembro de 2025.
José Joaquim de Oliveira
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