Sol de Primavera

Há algo de sutil no sol da primavera, como se ele trouxesse no brilho uma lição silenciosa: nada permanece para sempre, nem o inverno mais rigoroso. Ele não chega com arrogância, mas com um convite suave — o convite ao renascimento.

Por que a luz desta estação nos parece tão diferente? Talvez porque ela não apenas ilumine as coisas; ela as desperta. O frio recua, as flores ousam abrir-se, e até o vento parece aprender uma nova suavidade. É como se a vida, que parecia adormecida, se lembrasse de si mesma.

O sol de primavera não é excessivo como o do verão nem melancólico como o do outono. Ele é equilíbrio. É transição. Ensina-nos que a existência não é feita de extremos, mas de passagens. Que a beleza está no instante em que tudo começa a se transformar.

Quem o contempla sente dentro de si um chamado: deixar para trás o que secou e acolher o que floresce. Porque, se a natureza pode sempre recomeçar, por que não nós que somos parte essencial dela?

O sol de primavera é mais que um fenômeno da natureza. É um símbolo da alma: lembra-nos que, depois do frio, sempre há calor; depois da sombra, sempre há luz — e, depois do silêncio, um canto novo pode fazer toda a diferenca.

E assim, quem o percebe, sinta-se chamado a ser também primavera — a desabrochar, a deixar cair as folhas secas do medo, dos rancores, das mágoas que nada constroem e a se vestir de uma fecunda esperança.

Salvador-Ba, 02 de setembro de 2025.

José Joaquim de Oliveira

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