Há uma semente de plenitude dentro de cada ser humano — não é uma conquista fácil, mas um despertar constante e consciente. Aristóteles nos ensina que a felicidade não reside nos prazeres, nem na riqueza, mas na vida contemplativa: “uma certa atividade da alma realizada em conformidade com a Virtude” — viver de acordo com a razão, nossa essência mais verdadeira.
Mas é o desafio de conciliar razão e emoção que define a jornada. O filósofo Zenão de Cítio, nascido na ilha de Chipre, 300 anos antes de Cristo, o fundador do estoicismo, indicava que a plenitude surge quando nos livramos das paixões e alcançamos a Ataraxia — um estado de tranquilidade em que nada nos perturba e vivemos segundo as normas harmônicas da natureza.
Muitos séculos depois, surge também Erich Fromm, que nos lembra do paradoxo humano: a nossa força está em só transcendermos a natureza quando adquirimos consciência de nossa finitude. É a finitude que nos faz transcender. A existência plena requer navegar entre regressão e progressão, entre a harmonia perdida com o instinto e a construção racional do ser humano.
O Homem Pleno não é aquele que sobrevive, mas aquele que se manifesta — não como mero provedor ou conforme expectativas sociais, mas como ser integral, atuante e acima de tudo, ético.
Submerso em horas que se repetem dia após dia, o Homem busca a plenitude em territórios rudes: o olhar ferino da sociedade, o canto das conquistas efêmeras, o peso de papéis estabelecidos por outrem. Mas dentro dele, ainda pulsa um chamado ancestral— ser racional, ser inteiro e, mais uma vez, ser ético.
No silêncio que desafia o burburinho do mundo, ele encontra a razão, sua verdadeira bússola. Mais adiante, superar paixões que o devoram: medo, ganância ansiedade, necessidade de ter e de agradar. Aqui, a serenidade — essa via estoica — surge não como anestesia, mas como clareza a iluminar o abismo profundo.
E, por fim, reconhecer sua condição: criatura finita, pálpebra trêmula diante do vasto desconhecido. Nesse abismo existencial é possível encontrar liberdade. A cada dia, se torna responsável por ser mais do que sobrevivente: escolhe virtude, escolhe ver, escolhe ser. E isso — nesse jogo íntimo entre ser e fazer — reside a plenitude do que deve ser.
Em sendo assim, encerraria esta crônica dizendo que para o Homem ser Pleno, não há outro caminho, ele deveria integrar corpo, intelecto e espírito de maneira equilibrada e orientada, permitindo explorar todas as potencialidades da natureza humana em prol do bem comum.
Salvador-Ba, 08 de agosto de 2025.
José Joaquim de Oliveira
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