Tem dias em que o Sol nasce, mas a gente não o vê. O despertador toca, o café está quente, o mundo segue seu rumo — e ainda assim, há um peso invisível pairando sobre os ombros. A vida, com suas surpresas e reviravoltas, nem sempre facilita as coisas. E é justamente aí que entra ela: a positividade – a luz que escolhemos acender.
Não como um sorriso forçado ou uma negação da dor. Positividade não é tapar o sol com a peneira, mas sim escolher abrir a janela, mesmo em dias nublados. É entender que, embora a realidade nem sempre seja doce, sempre há um jeito de adoçar o olhar.
Ser positivo é resistir ao cinismo que tenta nos convencer de que nada vale a pena. É encontrar sentido até mesmo nas pedras do caminho — quem sabe, com elas, ornamentar o nosso jardim? É saber que o erro não nos define, que os tropeços não cancelam os passos firmes já consolidados.
Positividade é aquela pessoa amiga que chega sem fazer alarde, mas muda o ambiente. Ela não grita, não exige, não mascara. Apenas convida: “Vamos tentar de novo?”, “E se der certo?”, “Você já percebeu quanta coisa boa você carrega aí dentro?”
Claro que ninguém é positivo o tempo todo. Ser humano é também ter dias cinzentos. Mas cultivar um olhar positivo é como plantar uma árvore: leva tempo, exige cuidado, mas um dia oferece sombra e frutos — para nós e para os que caminham conosco.
Quando a gente acorda com o céu meio nublado, o café meio morno e o humor… digamos, meio capenga. Um daqueles dias em que a alma se arrasta enquanto o mundo exige um sorriso aberto. “Pense positivo!”, alguém diria, como se fosse uma receita infalível contra as tempestades interiores.
Mas será que é assim mesmo?
Vivemos num tempo em que a positividade virou palavra de ordem. Em redes sociais, palestras, canecas motivacionais e até em pacotes de chá, lá está ela: sorria, acredite, tudo vai dar certo. É bonito. Inspirador até. Mas, às vezes, é exaustivo.
A positividade verdadeira é aquela que acolhe as sombras sem medo. Que sabe esperar o tempo da dor, sem apressar o luto ou disfarçar as lágrimas com frases prontas. É aquela que diz: “Você vai conseguir, mas hoje não está tudo bem ”
Já a positividade forçada — essa sim — pesa como um sol escaldante no deserto. Impõe felicidade quando há tristeza, exige gratidão quando há vazio. Ela não consola: silencia. Faz com que a pessoa sofra sozinha, envergonhada por não estar “vibrando na frequência dos outros”.
A vida real é feita de altos e baixos. De tropeços, dúvidas e recomeços. E a positividade mais bela é aquela que caminha ao lado da gente, mesmo quando os pés doem. Que oferece ombro, e não cobrança. Que não tenta apagar a dor, mas ilumina o caminho por onde se atravessa a noite.
Porque, no fundo, a vida é isso: um campo vasto onde escolhemos o que cultivar. Que nunca nos falte coragem para plantar esperança, gentileza e fé, mesmo que as tempestades venham. No fim das contas, a positividade não é negar a escuridão. É apenas a escolha corajosa para continuar acendendo as luzes que escolhemos ser.
Salvador-Ba, 21 de julho de 2025.
José Joaquim de Oliveira
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