Quem foi que decidiu isso? Quem foi que assinou esse decreto invisível, espalhado em silêncios e olhares duros desde a infância? Em que momento da história se impôs esse peso bruto sobre os ombros dos meninos, como se eles, ao nascer, herdassem junto com o nome também uma armadura?
Aos poucos, o menino aprende: não pode cair, não pode fraquejar, não pode dizer que está com medo, que está triste ou cansado. Se chorar, é repreendido: “Engole o choro!” Como se a lágrima fosse veneno, como se o sentir fosse fraqueza. Mas, por quê? Para que?
O mundo empurrou esse fardo com força, dizendo que ser homem é ser duro. E muitos aceitaram, silenciosos, sem saber que estavam trocando a liberdade de ser, pelo peso de parecer. Parecer forte. Parecer inabalável. Parecer sempre no controle. Mas por dentro, quantos não desabam, sozinhos, em madrugadas insones?
Chorar não é fraqueza. É linguagem da alma. É o corpo dizendo que sente, que ama, que sofre, que perdeu. A lágrima é humana, não tem gênero. E sufocar esse gesto tão natural é aprisionar o coração.
Quantos pais queriam ter abraçado o filho e dito “estou com medo também”, mas engoliram tudo para manter a pose de “homem da casa”? Quantos filhos cresceram sem ver o pai chorar, achando que ser homem era isso: calar, aguentar, suportar?
É tempo de rever. Tempo de desaprender o que nos ensinaram com tanta dureza. De lembrar que ser homem também é ser vulnerável, terno, sensível. De reconhecer que o verdadeiro valor não está em esconder as lágrimas, mas em ter coragem de deixá-las cair.
Chorar é humano. E os homens são, afinal, humanos também.
Salvador-Ba, 16 de julho de 2025.
José Joaquim de Oliveira
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