A festa de Corpus Christi, celebrada com tanta devoção por milhares de fiéis ao redor do mundo, é muito mais do que uma data no calendário litúrgico. É um convite à reflexão, à fé e ao reconhecimento da presença real de Cristo na Eucaristia.
Ao vermos as ruas enfeitadas com tapetes coloridos, feitos com flores, serragem e outros materiais simples, somos lembrados da beleza que nasce da fé popular. Cada cor, cada desenho, cada detalhe é expressão de um povo que acredita, que celebra e que transforma sua fé em arte.
Mas, Corpus Christi vai muito além.
Nas manhãs de Corpus Christi, há um silêncio diferente no ar. Um silêncio que não é de ausência, mas de espera. As ruas, ainda adormecidas, começam a se transformar. Mãos simples, de jovens e idosos, de crianças e adultos, se debruçam sobre o chão frio, espalhando cores, formas, flores, fé. Nasce o tapete, singelo ou elaborado, mas sempre feito com devoção.
Cada punhado de serragem colorida, cada pétala disposta com cuidado, carrega um gesto de amor. Não é só arte, é oração. Não é apenas tradição, é testemunho. Um testemunho de um povo que, mesmo em tempos difíceis, ainda crê. Ainda espera. Ainda caminha.
E quando o ostensório surge, brilhando nas mãos do sacerdote, o povo para. O burburinho dá lugar ao silêncio reverente. Olhares se voltam, corações se elevam. Ali, naquela pequena hóstias consagrada, a fé católica proclama: Deus está presente. Não como símbolo, não como lembrança, mas real, vivo, inteiro.
A procissão segue, lenta e solene, como um rio de gente carregado de súplicas e gratidões. Cada passo é uma declaração de fé. Cada canto é uma prece que sobe ao céu, misturando-se ao perfume das flores que adornam o caminho.
Corpus Christi é mais que uma data. É um convite. Um chamado a sair de casa, mas também a sair de si mesmo. A olhar para o Cristo que caminha ao nosso lado e a reconhecê-Lo nos altares e, principalmente, nos irmãos. É dia de renovar a esperança, de reforçar os laços da comunidade, de lembrar que Ele está conosco. Na alegria, na dor, na rotina e na festa.
E, ao final da celebração, quando os tapetes coloridos já se desfizerem sob os passos da vida, fica o essencial: a certeza de que o Cristo Eucarístico permanece. Silencioso, discreto, mas sempre presente. Esperando-nos no altar, esperando-nos no próximo, esperando-nos na fé.
Salvador-Ba, 19 de junho de 2025.
José Joaquim de Oliveira
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