O tempo quaresmal é como uma brisa suave que nos toca o rosto, convidando-nos a uma pausa, a uma reflexão mais profunda sobre o caminho que temos trilhado. São quarenta dias que ressoam como um eco dos quarenta anos do povo de Israel no deserto, dos quarenta dias de Jesus em jejum e oração. É um convite à conversão, não à tristeza, mas à introspecção, à revisão de nossos passos e à disposição para uma mudança sincera.
Vivemos em uma era de velocidade, de urgências impostas, de distrações incessantes. A Quaresma, no entanto, surge como um tempo de penitência, de desaceleração, um chamado a olhar para dentro e perceber onde estão nossos excessos, nossas faltas e nossas esperanças. É um período em que a Igreja nos propõe três pilares essenciais: a oração, o jejum e a esmola. Cada um deles nos ensina uma maneira de reequilibrar a vida, de realinhar nossas prioridades e fortalecer nossa relação com Deus e com o próximo.
A oração nos aproxima do sagrado, nos reconecta com o transcendente e nos permite escutar a voz suave de Deus em meio ao ruído do mundo. O jejum nos ensina o valor do desapego, da moderação e da solidariedade, lembrando-nos de que não vivemos apenas para saciar desejos passageiros. A esmola, por sua vez, nos abre ao outro, nos ensina a partilhar, a olhar além de nós mesmos e a reconhecer que o bem comum deve ser um compromisso de todos.
Mas a conversão a que a Quaresma nos convida não é uma mudança superficial, de conveniência ou aparência. É um chamado à transformação genuína, ao realinhamento do coração e da mente com os valores do Evangelho. Converter-se não é apenas mudar de hábitos, mas permitir que Deus transforme nosso interior, que nos renove a partir da essência.
Neste tempo sagrado, somos convidados a atravessar nosso próprio deserto interior, a enfrentar nossas sombras e a buscar a luz que vem da Fé. E ao final desse caminho, a Páscoa se ergue como um horizonte de esperança, um lembrete de que toda renúncia e todo esforço de conversão encontram sua plenitude na Ressurreição. Que este tempo quaresmal seja, de fato, um convite aceito, uma jornada vivida e uma renovação profunda e sincera.
Salvador-Ba, 22 de março de 2025
José Joaquim de Oliveira
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