Já me detive a escrever um pouco sobre Instante e Eternidade. Hoje, ouso pensar acerca da efemeridade.
O tempo é uma variável inevitável que molda tudo ao nosso redor. Ele avança sem se deter, levando consigo momentos, experiências e até mesmo certezas que pareciam inabaláveis. A efemeridade, por sua vez, nos lembra da transitoriedade da vida, da beleza que reside no instante e da necessidade de valorizar o presente.
Nossa existência se desenrola entre essas duas âncoras inevitáveis da existência: a passagem inexorável do tempo e a fragilidade das coisas que acreditamos permanentes. O que hoje nos parece sólido, amanhã pode ser apenas memória. E, paradoxalmente, é essa impermanência que dá sentido à busca por significados, por marcas que possam transcender nossa própria finitude.
O tempo escorre pelos dedos como areia fina. Tentamos segurá-lo, mas ele nos escapa, impassível, indiferente aos nossos anseios. Há dias em que parece correr veloz como o vento, levando consigo a inocência da infância, os sonhos da juventude e as certezas da maturidade. Em outros momentos, arrasta-se lentamente, como se quisesse nos fazer sentir cada instante em sua plenitude.
A efemeridade da vida se revela nos detalhes: uma flor que desabrocha pela manhã e murcha ao entardecer, um sorriso que ilumina um rosto por um breve momento, uma conversa que se perde na rotina. Nada é eterno, e é, justamente, essa transitoriedade que dá valor ao que vivemos.
No entanto, há algo de mágico nessa impermanência. Se tudo fosse permanente, perderíamos a capacidade de nos maravilhar, de valorizar os pequenos gestos, de sentir saudade. O tempo, ao levar, também nos traz. Traz amadurecimento, memórias e, principalmente, histórias para contar.
E assim seguimos, tentando compreender essa dança sutil entre o agora e o depois. Quem sabe, o pulo do gato esteja em não querer deter o tempo, mas em aprender a acompanhá-lo, sentindo e saboreando cada instante, sem pressa, sem apego, sem medo e sem estresse, apenas vivendo o hoje e o agora.
Salvador-Ba, 20 de março de 2025
José Joaquim de Oliveira
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