Ser Cidadão do Céu

O mundo corre, agitado, em busca de glória passageira. As luzes do sucesso brilham intensamente, mas logo se apagam. A fama se esvai como névoa ao amanhecer, e a busca incessante pelo prazer e pelo poder cega muitos corações. Nesse cenário de efemeridade, surge o convite de Cristo por intermédio do apostolo Paulo: “Sejam cidadãos do Céu.”

O brilhante apóstolo Paulo, escrevendo aos filipenses, alertou sobre aqueles que se tornaram inimigos da cruz de Cristo, pois tinham sua mente voltada apenas para as coisas terrenas. Sua glória estava no que deveriam se envergonhar, e seu deus era o próprio ventre. Essas palavras ecoam em nosso tempo, quando muitos fazem dos bens materiais e dos prazeres imediatos o centro de suas vidas. O coração humano, seduzido por promessas vazias, afasta-se do que é eterno.

Ser cidadão do Céu significa viver com os olhos voltados para o alto, sem desprezar os deveres terrenos, mas sem fazer deles o objetivo supremo. Significa carregar a cruz, não como um fardo insuportável, mas como um sinal de amor e redenção. É entender que a cruz, símbolo de dor e sacrifício, transformou-se na ponte que nos conduz à vida eterna.

Jesus nunca prometeu caminhos fáceis, mas garantiu que estaria conosco em cada passo. Seguir sua cruz é um desafio, mas também uma honra. É na entrega, no perdão e no serviço ao proximo que encontramos a verdadeira alegria. O cidadão do Céu não busca apenas acumular, mas repartir; não deseja apenas ser servido, mas servir. Ele reconhece que seu verdadeiro tesouro não está em cofres ou títulos, mas no coração misericordioso e puro de Deus.

Vivemos tempos em que o evangelho da cruz é frequentemente substituído pelo evangelho da comodidade. Muitos querem Cristo, mas sem a renúncia; querem a salvação, mas sem a transformação. No entanto, a cruz nos lembra que a verdadeira vida nasce do sacrifício e do poder transformador do amor desinteressado.

Que sejamos cidadãos do Céu, vivendo com esperança, sem nos deixar seduzir pelas ilusões passageiras. Que a cruz de Cristo não seja para nós motivo de escândalo ou rejeição, mas o sinal luminoso que nos guia para a plenitude de uma vida cuja eternidade começa aqui e se alonga até aos braços do Pai, onde um dia possamos ouvir: “Servo bom e fiel, entra na alegria e na gloria do teu Senhor.”

Salvador-Ba, 15 de março de 2025.

José Joaquim de Oliveira

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