É difícil imaginar que em 25 de fevereiro, em tão poucos dias, nosso pai atingirá o marco centenário de sua existência. Cem anos. Um século de histórias, lutas, risos e lições. Cada ruga em seu rosto é uma memória, cada brilho no olhar é uma lembrança que, de alguma forma, se conecta a todos nós.
Lembro-me das suas histórias contadas ao redor daquela mesa, diante de um quadro da Sagrada Família, sempre com aquele jeito pausado e sábio. Fosse sobre os tempos difíceis da juventude, os primeiros passos em busca de seus sonhos ou as conquistas que, mesmo pequenas aos olhos do mundo, eram imensas para ele — tudo tinha uma lição embutida, ainda que ele jamais parecesse estar ensinando algo.
Quantas gerações foram moldadas por suas mãos firmes e seu coração generoso? Quantos conselhos, dados de forma discreta, nos guiaram mesmo quando não percebíamos? Nosso pai, com sua paciência infinita e sua capacidade de transformar qualquer momento em algo especial, é o alicerce sobre o qual nossa família se ergueu e prosperou.
De hoje a um mês, celebraremos não apenas uma data simbólica, mas uma vida que deixou marcas profundas. É o momento de reunir todos os que foram tocados por sua generosidade e sabedoria, de reviver memórias e criar novas, para que seu legado continue vivo por mais cem anos em nossos corações e histórias.
Que sorte a nossa poder viver este momento ao seu lado. Que honra é ser parte de sua história, que, ao completar cem anos, só reforça o quanto o tempo é um presente. E, mais que isso, reforça que nosso pai é, e sempre será, uma dádiva para todos nós.
Vamos contar os dias.
Salvador-BA, 25 de janeiro de 2025.
José Joaquim de Oliveira
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