O Imediatismo de Nossos Dias

Vivemos em tempos de urgência, onde o agora é tudo e o amanhã parece distante e incerto. O imediatismo que permeia nossas vidas é quase palpável, impulsionado por avanços tecnológicos, redes sociais e a necessidade constante de estar, permanentemente, atualizado.

Tudo ao nosso redor acontece em ritmo frenético. As notícias chegam em tempo real, as respostas são esperadas, instantaneamente, e a paciência, outrora considerada uma virtude, parece ter se tornado obsoleta. O que antes era aguardado com expectativa, agora é exigido de imediato, como se o tempo fosse um carrasco e que não pudéssemos mais nos dar ao luxo de dar tempo ao tempo.

Essa cultura do “já” molda nossos comportamentos e relações. Quantas vezes nos pegamos impacientes com a lentidão do semáforo, com a fila do supermercado ou com a conexão da internet? Queremos tudo para ontem, como se o mundo devesse girar em torno de nós, de nossas necessidades e desejos momentâneos.

Entretanto, essa busca incessante pelo imediatismo tem seu preço. Perdemos a capacidade de contemplação, de apreciação do momento presente. O prazer da espera, o valor do processo, o aprendizado que vem com a paciência, tudo isso é relegado ao segundo plano. Vivemos para a gratificação instantânea, mas nos esquecemos de que muitas vezes é no caminho que reside a verdadeira riqueza.

O imediatismo nos priva da profundidade. Relacionamentos são construídos e descartados com a mesma rapidez de uma troca de mensagens. Projetos são iniciados e abandonados ao primeiro sinal de dificuldade. Sonhos são substituídos por novas ambições antes mesmo de serem realizados. E assim, a vida se torna uma sucessão de momentos fugazes, sem raízes, sem história.

Talvez reja hora de desacelerar, de reaprender a esperar, a valorizar o tempo como um aliado e não como um inimigo. A sabedoria dos antigos nos ensina que tudo tem seu tempo, que há um tempo para plantar e um tempo para colher. E que, em meio à pressa, é possível encontrar beleza na espera, força na paciência e sentido no percurso.

Até a linguagem cinematográfica absorveu esse ritmo da ação rapida e da narrativa acelerada para manter a atenção do público e não há mais tempo para uma cena onde se possa observar detalhes de uma paisagem, da beleza de uma fotografia bem elaborada.

O imediatismo de nossos dias é, sem dúvida, um reflexo de nossa era. Mas cabe a nós decidir se seremos escravos desse ritmo frenético ou se encontraremos maneiras de resistir, de cultivar uma vida mais plena e significativa, onde o agora não seja o fim, mas apenas uma parte de um todo maior e mais duradouro.

Salvador-Ba, 06 de janeiro de 2025.

José Joaquim de Oliveira

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