A Epifania sempre fora mais do que uma simples data no calendário litúrgico. Em verdade, é o desvelar de um mistério, o momento em que o invisível se torna palpável. Os Magos do Oriente, representados no presépio com suas vestes coloridas, parecem caminhar rumo à manjedoura, conduzidos por uma estrela que brilha, para alguns, no céu da imaginação, para outros, a verdadeira luz a desbravar os caminhos da salvação. Seus presentes de ouro, incenso e mirra eram mais do que riquezas materiais; simbolizavam a oferta de tudo que o ser humano tem a oferecer de mais precioso.
Na homilia, o celebrante vai lembrar que a Epifania não é apenas uma celebração do passado, mas um convite permanente ao novo. “A estrela que guiou os Magos continua a brilhar”, dirá ele. “Mas será que ainda a enxergamos? Estamos dispostos a empreender a jornada que ela nos propõe?”
A pergunta vai ecoar nos bancos da igreja e nos corações dos presentes. Afinal, quem não busca sua própria estrela? Quem não deseja encontrar sentido em meio aos enormes desafios da vida? A Epifania nos chama a olhar além, a perceber os sinais sutis que o cotidiano nos oferece e a ter a coragem de segui-los.
Ao final da celebração, as famílias se dispersam lentamente, mas o espírito de reflexão permanece. Lá fora, o sol brilha com um esplendor renovado, como se ele próprio quisesse lembrar a todos que a Luz que veio ao mundo não é privilégio de poucos, mas um dom para todos os que se dispõem a buscá-La.
E assim, nesse dia da Epifania do Senhor, que ela seja mais que uma festa religiosa; seja um despertar de consciências, um convite ao novo, um lembrete de que a verdadeira luz nunca cessa de brilhar para quem tem olhos para vê-la e coração para acolhê-la.
Salvador-BA, 04 de janeiro de 2025
José Joaquim de Oliveira
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