Tão cheia de reviravoltas, nuances e aqueles pequenos detalhes que, à s vezes, parecem nos pregar grandes peças. Dentre esses desafios, um que atormenta estudantes, cronistas e até mesmo os mais experientes escritores é o correto uso dos “porquês”. Afinal, qual é o mistério que envolve essas quatro palavras mágicas?
Na exuberante manhã de verão do primeiro dia do ano, tranquila e caliente, decidi correr o risco de transformar essas dúvidas em uma crônica para ajudar outros a desvendarem esse mistério linguístico, sem a pretensão de estar certo ou esgotar o assunto, apenas para provocar reflexões .
Pois bem. O primeiro a ser escolhido foi o por que separado e sem acento. Ele surge com ares de curiosidade, como uma mão erguida em sala de aula. Ele se apresenta em perguntas diretas: Por que as nuvens são brancas? Por que a gente complica tanto a vida? Também pode ser usado em frases indiretas ou em questionamentos implícitos: Quero saber por que você não veio à aula. Simples, inquisitivo e, muitas vezes, despretensioso. Esse é o papel desse por que separado e sem acento.
Já o segundo porque, junto e também sem acento, é aquele amigo que nos traz respostas. Ele entra em cena para explicar, justificar e dar sentido ao que parecia incerto: Não fui à aula porque estava cansado. É prático, direto, e sua missão é encerrar toda e qualquer dúvida.
O terceiro da lista, o por quê separado e com acento, é um personagem que gosta de aparecer no fim das frases. Ele tem uma postura mais reflexiva, quase filosófica: Você não veio por quê? Como se dissesse: Olhe bem, há algo mais profundo aqui. O acento circunflexo é a cereja do bolo, uma marca registrada de sua posição unica.
E, finalmente, temos o porquê junto e também com acento, que é aquele que se refere aos motivos. Ele é um substantivo cheio de personalidade. Vive acompanhado de artigos, pronomes e outros amigos da Gramática: Quero entender o porquê de tanta confusão (entender o motivo de).
Mais ainda. Ele é o único que permite ser plural: os porquês da vida são muitos. Filosófico e elegante, ele é um exemplo de como até a língua pode ter sua dose de elegância e poesia.
Às vezes, fico pensando: será que complicamos tudo isso de propósito? Talvez os diferentes “porqués” sejam uma metáfora da vida. Há perguntas que fazemos, respostas que recebemos, dúvidas que nos perseguem, razões e motivos que, no fim, encontramos.
Portanto, ao usar os “porqués”, Lembremo-nos: eles são mais do que simples palavras, são companheiros na busca por compreensão. E, se a dúvida surgir, respire fundo. Afinal, até mesmo as maiores questões da vida começam com um simples “por que.”
Salvador-Ba, 01 de janeiro de 2025
José Joaquim de Oliveira
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