A ação e o sujeito da ação.

Em nosso dia a dia, é comum confundirmos aquilo que alguém faz ou diz com quem essa pessoa realmente é. Dizemos que o menino que quebrou o vaso é descuidado, que o motorista que errou a curva é imprudente, ou que a colega que não entregou o relatório no prazo é preguiçosa. Mas será que somos mesmo definidos por cada uma de nossas ações?

Ação e sujeito não são sinônimos e não se misturam. Uma ação, seja ela grandiosa ou desastrosa, é apenas um fragmento no grande mosaico de quem somos. O menino que quebrou o vaso pode ser o mesmo que, minutos depois, com ternura, recolheu os cacos, limpou tudo e pediu desculpas. O motorista que errou a curva pode ser alguém que passou a noite inteira cuidando de um filho doente. E a colega atrasada, talvez, esteja enfrentando uma tempestade silenciosa em sua vida pessoal.

Quando julgamos alguém pela sua ação, muitas vezes estamos ignorando o contexto, o momento, e, sobretudo, a complexidade que é o ser humano. Julgar um livro pela capa já é um clichà desgastado, mas julgar uma pessoa por um único capítulo de sua história é um erro ainda maior.

E não apenas com os outros devemos ter esse cuidado, mas também conosco.

Quantas vezes nós nos definimos pelos nossos próprios tropeços? Erramos no trabalho e logo nos rotulamos como incompetentes. Deixamos de cumprir uma promessa e nos condenamos como insensíveis. Contudo, nossas ações são parte de um aprendizado constante, e não uma sentença definitiva sobre quem somos.

É claro que não podemos ignorar a responsabilidade que temos por nossas escolhas ou por aquilo que fazemos. É lógico que as ações importam e têm consequências. Mas a diferença crucial está em reconhecer que elas são apenas manifestações temporárias do que estamos vivendo, não uma definição permanente de nosso caráter.

Talvez, ao lembrarmos de separar o sujeito da ação, possamos ser mais generosos, tanto com os outros quanto conosco. Porque, afinal, somos muito mais do que aquilo que fazemos – somos aquilo que, continuamente, tentamos ser.

Salvador-Ba, 04/12/2024
José Joaquim de Oliveira

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