Como eu sou grato aos meus professores

O tempo é um mestre peculiar, não é? Ele carrega em suas mãos as lembranças e as transforma, pouco a pouco, em sabedoria. Cinquenta anos se passaram desde que finalizei minha formação em Engenharia, na Escola Politécnica de Campina Grande, em 1974 e, ao olhar para trás, vejo uma trilha repleta de pessoas que me moldaram, me incentivaram e, muitas vezes, me desafiaram a ser mais. São os professores — aqueles guias silenciosos que, com paciência e dedicação, construíram ax base sobre a qual ergui minha trajetória.

Lembro-me dos meus primeiros dias de faculdade, quando tudo parecia tão grandioso e, ao mesmo tempo, assustador. Os números, os cálculos e os conceitos abstratos se amontoavam como um quebra-cabeça incompleto. Mas, então, vinham eles, os mestres, com suas explicações claras, seus incentivos disfarçados de desafios e suas broncas que, por mais duras que parecessem, tinham um propósito: nos fortalecer, nos preparar para tomar decisões, resolver e enfrentar os desafios que viriam pela frente.

Cada aula era uma janela para o desconhecido. A Matemática que, para muitos, era um enigma intransponível, nas mãos de um bom professor, transformava-se em algo quase poético. A Física, com suas leis rígidas e exatas, ganhava vida nos exemplos práticos que iam além da sala de aula. Era como se cada fórmula aprendida tivesse uma aplicação concreta no mundo real, e isso só era possível porque havia alguém ali disposto a traduzir a ciência em linguagem humana.

Sou grato não só pelos ensinamentos técnicos, mas por algo muito maior: a visão de mundo que esses mestres me proporcionaram. Eles não apenas me prepararam para ser um engenheiro, mas também para ser um cidadão, para questionar o status quo, para nunca aceitar uma resposta sem antes entendê-la por completo. Foram eles que me ensinaram que a engenharia é muito mais do que construir máquinas, sistemas e estruturas; é construir soluções para problemas humanos.

O tempo passou, os rostos de muitos daqueles professores estão hoje apenas nas minhas lembranças. Alguns já se foram, outros seguiram suas jornadas em outros caminhos, mas o legado que deixaram em mim permanece intacto. Cada conquista profissional, cada projeto bem-sucedido, cada desafio superado tem, de certa forma, a marca deles. Porque foi com eles que aprendi o valor da persistência, da curiosidade e da paixão pelo que se faz.

Cinquenta anos depois, o que fica não são as fórmulas decoradas ou os conceitos abstratos. O que permanece é a gratidão. Gratidão também dos meus queridos mestres do meu Grupo Escolar Irineu Joffily, de meu Ginásio Diocesano de Esperança-PB, da Escola de Agronomia do Nordeste e da Escola Politécnica de Campina Grande-PB. Gratidão por terem acreditado em mim, por terem me dado as ferramentas — intelectuais e emocionais — para enfrentar o mundo. A eles, meus professores de todos os niveis, minha eterna reverência. Porque sem eles, eu não seria quem sou hoje.

Salvador-Ba, 15 de outubro de 2024.
José Joaquim de Oluveira

Leave a comment