A fogueira que veio de longe
A fogueira ocupa um lugar especial nas festas de São João. Mais do que parte da decoração da festa, ela carrega uma história que reúne tradição religiosa, costumes populares e antigas práticas ligadas ao ciclo das colheitas.Na tradição cristã, a fogueira está associada ao nascimento de João Batista. Uma antiga tradição conta que Isabel, mãe de João, teria acendido uma fogueira para comunicar a Maria o nascimento do filho. Embora esse episódio não apareça nos Evangelhos, a narrativa permaneceu na cultura popular e ajudou a explicar a presença do fogo nas celebrações de São João.Ao redor da fogueira, a festa ganhou também uma dimensão comunitária. Pessoas se encontram, conversam, cantam, dançam e partilham alimentos. O fogo, nesse contexto, deixa de ser apenas uma chama e passa a fazer parte de um espaço de encontro, marcado pela simplicidade e pela convivência.Há ainda uma dimensão mais antiga. Antes mesmo da tradição cristã, o fogo estava presente em celebrações relacionadas às mudanças das estações, às colheitas e aos ciclos da natureza. Com o tempo, muitos desses costumes foram incorporados às festas cristãs e receberam novos significados.É essa sobreposição de histórias que explica a permanência da fogueira nas noites de São João. Ela reúne, em torno de uma mesma chama, a memória de antigas tradições, a devoção a João Batista e o costume de celebrar em comunidade.Quando as chamas se levantam na noite de São João, não é apenas o fogo que permanece aceso. Mantém-se viva também uma tradição transmitida de geração em geração, principalmente no Nordeste do país — modificada pelo tempo, mas ainda reconhecível na simplicidade de uma fogueira, de uma conversa e de uma noite compartilhada nas bucólicas cidades do interior.
Salvador – BA, 24 de junho de 2024.
José Joaquim de Oliveira
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