Não sei se fui eu

Há ocasiões em que a razão não basta. Quando as palavras se esgotam e não encontramos uma explicação satisfatória para aquilo que nos acontece, rezar pode ser uma forma de silêncio, entrega e confiança.

Por isso, precisamos rezar. Não apenas por nós, mas também por quem enfrenta uma doença, uma perda, uma solidão que ninguém percebe ou uma batalha que não consegue contar. Há sofrimentos que não fazem ruído e, justamente por isso, podem passar despercebidos.

Quando há algo que não consigo resolver, rezo por mim, pelos que amo e também por aqueles que enfrentam, em silêncio, suas próprias dificuldades.

Essa é a única corrente que realmente importa: aquela que se estabelece quando uma pessoa se lembra de outra e, mesmo sem poder mudar sua história, pede a Deus que lhe dê força para atravessá-la.

Certamente uma oração não muda imediatamente as circunstâncias, mas pode mudar o modo como as enfrentamos. Pode nos tornar mais atentos à dor alheia e mais disponíveis para oferecer aquilo que estiver ao nosso alcance: uma palavra, uma presença, um gesto de afeto.

Salvador-BA, 8 de fevereiro de 2024.

José Joaquim de Oliveira

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José Joaquim de Oliveira

Engenheiro elétrico aposentado, com carreira em telecomunicações no Brasil e exterior. Escreve sobre memória, fé e vida cotidiana. Saiba mais →


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